Onze de Setembro de 2017 foi o dia eleito, para a apresentação não só da nova linha de computadores portáteis do tipo ultrabook (Mi Notebook Pro) mas também dos smartphones topo de gama Mi Mix2 e gama média/alta Mi Note3 por parte da Xiaomi, uma Jovem Construtora Chinesa popular pelas suas variadas gamas de Smartphones.

Até ao momento a Xiaomi somente comercializava uma única linha de ultrabooks a qual divergia em dois modelos: Mi Notebook Air 13 (13,3” de ecrã) e Mi Notebook Air 12 (12,5” de ecrã). Apesar de serem modelos que cativaram e ainda cativam diversos consumidores, existia uma oferta limitada relativamente ao tamanho de ecrã. Dessa forma, esta nova linha “assentou que nem uma luva” no catálogo até então disponível tendo sido bastante desejado, numa maior porção pelos Fãs da Marca, Mi Fans.

Especificações Técnicas

As versões apresentadas e disponíveis até a momento em que foi escrito este artigo são as seguintes:

Ecrã

Tipo IPS
15.6” (1920 x 1080p, 142ppi)
Não é sensível ao Toque (Touch)
Espelhado (Glossy) com Proteção Corning Gorilla Glass 3
290/300 Nits de Brilho
Ângulo de visão de 170°
Contraste de 800: 1
87% sRGB; 59% Adobe RGB; 72% NTSC
Tamanho 344,16mm × 193,59mm

Processador (CPU)

Intel Core i5-8250U
4 Núcleos Físicos
8 Threads
Base – 1.60 GHz
Turbo – 3.40 GHz
TDP – 15W
Intel Core i7-8550U
4 Núcleos Físicos
8 Threads
Base – 1,80GHz
Turbo – 4.0 GHz
TDP – 15W

Gráfica integrada

Intel UHD Graphics 620
1GB de memória dedicada
300 – 1100 MHz 300 – 1150 MHz

Gráfica Dedicada

NVIDIA GeForce MX150
2GB de memória dedicada GDDR5

Memória RAM

8GB 16GB
Duplo Canal (Dual Channel)
2400 MHz
Armazenamento SSD M.2 NVMe Samsung PM961 256GB
1xSlot M.2 Expansível
Conectividade Intel Wireless AC 8265 (2×2)
Bluetooth 4.1
1xHDMI 1.4; 1xUSB-C 3.1; 1xUSB-C 3.0; 2xUSB 3.0; 1xLeitor SD (SD/SDHC/SDXC); Áudio Jack 3,5mm

Bateria

Polímero de lítio (Li-Po) de 4 células
60Wh / 8000 mAh
Som Realtek ALC298
Dolby Atmos
2x altifalantes Harman Infinity 2,5W
Webcam Resolução 1MP
Gravação a 720p
Sistema Microsoft Windows 10 Home (versão Chinesa, linguagem Mandarim)
Microsoft Office Casa e Estudantes 2016
Dimensões e Peso Comprimento 360,7 mm; Largura 243,6 mm; Espessura 15,9 mm
Peso 1,95 kg

Média de Preço (à data do artigo)

650-700€ 740-780€ 850-900€

Design e Qualidade de Construção

Apesar de uma clara inspiração nos modelos mais recentes da Apple, os MacBook, o Mi Notebook Pro apresenta um design bastante minimalista e clean expondo somente duas vezes o logótipo da marca. Contrariamente à moda existente no mercado de computadores portáteis, a face oposta ao ecrã é uma região não contemplada com o referido logótipo. O alumínio foi o material escolhido para a construção tendo sido também utilizada uma liga de magnésio localizada internamente no topo da região do teclado com o objetivo de aumentar a rigidez do corpo. É possível observar dois tipos de alumínio (se assim quiser denominar), um mais rígido e idêntico à composição característica do mesmo material e um outro localizado na tampa removível traseira e na dobradiça do ecrã que, apesar de se assemelhar a alumínio, apresenta uma certa flexibilidade.

A qualidade de construção é sem dúvida impecável proporcionando uma rigidez e uma durabilidade acima da média para este tipo de dispositivos tecnológicos. A mesma também favorece não somente o design, mas também a dissipação de calor proveniente dos componentes internos, nomeadamente o CPU e a GPU dedicada. Apesar de ser inspirado nos MacBook e de ser uma característica subjetiva, eu pessoalmente adoro o design e a paleta de cores escolhida (por sua vez bastante sedutora) como também a ausência do logotipo da mesma na tampa do ecrã – que, impressionantemente, é um aspeto diferenciador deste ultrabook.

Design minimalista é um dos aspectos mais gritantes. ©DigitalThinking

Dimensões e Peso

Referindo a tabela anterior, é um portátil não tão fino como por exemplo, o HP Spectre, mas cumpre os requisitos de ultrabook.

Pessoalmente, preferia um peso inferior, pelo menos 1,70Kg, mas claro que é, neste caso, uma preferência sendo que poderá ou não afetar a escolha do consumidor.

Ecrã

Atentando às características presentes no parágrafo “Especificações Técnicas”, estamos perante um ecrã que merece a atenção do leitor relativamente á relação custo/beneficio demonstrado pelo produto.

Saliento a alta resistência a riscos proporcionada pelo vidro da Corning Gorilla Glass de terceira geração. Este tipo de proteção está presente nos smartphones topos de gama atuais (ex: Samsung S9, OnePlus 5T, etc) embora de gerações superiores (nomeadamente a quinta). Em termos técnicos, o mesmo contém 87% sRGB, 59% Adobe RGB e 72% NTSC, ou seja, nos diferentes espaços de cores o ecrã do Mi Notebook Pro não desilude estando acima da média para esta faixa de preço (nomeadamente na versão i5 8GB RAM). Para um utilizador que não necessita de uma exatidão de cor a nível profissional este ecrã é uma opção a considerar. Aliás eu, neste momento, introduzo-me nesse tipo de utilizadores e tenho uma opinião bastante positiva sobre o mesmo.

Mas nem tudo é positivo, existem sim alguns defeitos que podem pesar no momento da escolha. O facto de ser bastante refletivo impede a visualização de qualquer conteúdo com luz solar intensa e direta, mas pode ficar descansado em ambientes internos e com alguma luz solar ou mesmo com uma intensidade moderadamente alta. Outro aspeto negativo é falta de opção, pelo menos no modelo mais avançado, de uma maior resolução e, a acompanhar essa melhoria o mesmo poderia conter, hipoteticamente, um espaço de cor maior a fim de satisfazer o público mais exigente tal como os criadores de conteúdo.

Webcam

A webcam tem 1MP de resolução e consegue capturar vídeo a 720p.

Apesar de ser um aspeto essencial não é o mais gritante… A qualidade é medíocre tal como normalmente o é no mercado de portáteis a este custo. Não tem qualquer feature revolucionária servindo minimamente para chamadas de vídeo via Skype por exemplo. Caso a pretenda utilizar intensivamente de modo a realizar livestreams ou vídeos para o Youtube com qualidade mediana ou mesmo decente terá, inevitavelmente, de investir numa webcam à parte.

Teclado

O teclado tem layout (organização de teclas) Norte Americano, um travel space de 1,5mm, é retro iluminado com luminosidade não regulável máxima de 3nits (cor branca) e contém um subtil arredondamento nas teclas principais para um melhor conforto na colocação dos dedos. Caracteriza-se por ser inspirado nos antigos teclados de MacBook.

De facto, é, não só na minha opinião, um dos melhores teclados do universo de portáteis com Microsoft Windows como sistema pré-instalado. O travel space é o ideal afastando-se dos atuais teclados da Apple. A “poluição sonora” causada pelo uso do mesmo está dentro da média (e longe dos teclados mecânicos) embora preferisse que fosse um pouco mais silencioso, mas isso já é uma questão muito pessoal.

De negativo, saliento a falta de sofware para um melhor regulamento da iluminação (como o tempo), a falta de níveis intermédios, talvez um brilho um pouco mais intenso e iluminação na tecla space. Seriam pontos a melhorar de modo a tornar este teclado ainda mais avançado.

Destaque da região inferior. ©DigitalThinking

Trackpad/Touchpad

Construído em Vidro fosco de cor cinzenta a combinar com a restante construção. Área de 10,62cm com 6” de largura (127 mm x 83,6 mm). É caracterizado pelo acesso a todos os gestos disponíveis no Windows 10 através do Windows Precision Driver.

Destaca-se positivamente da grande maioria dos portáteis, revelando-se bastante preciso, confortável e resistente. Talvez o único ponto menos positivo a salientar seria a dureza aquando do clique profundo no mesmo tal como se estivesse a utilizar um rato.

Sensor de impressão digital

É uma das características que, recentemente, tem revelado uma crescente adoção por parte das construtoras, nomeadamente nas linhas de Híbridos (2 em 1) e ultrabook. Neste caso estamos perante um sensor localizado no canto superior direito do trackpad com uma dimensão diminuta em relação a modelos de restantes marcas, nomeadamente a Lenovo.

Encontra-se, na minha opinião, bem localizado e bem enquadrado com as linhas de design minimalistas apresentadas. Apesar de aparentar ter a mesma qualidade e precisão que os utilizados, normalmente, em smartphones, pelo menos, de gama média, notasse, de facto, que esta feature é apenas um extra contrastando com a necessidade apresentada em dispositivos móveis. O tempo de reconhecimento da impressão digital, apesar de ser um pouco maior do que os de smartphones, é aceitável e não impeditivo da sua utilização. Também a sua exatidão é aceitável ou mesmo relativamente boa para um computador. Gostaria de observar um melhoramento na precisão, no tempo de reconhecimento caso o custo do mesmo não “fuja” aos padrões da Xiaomi. Apesar de ter referido que a localização é boa, de forma a torná-la a ideal, no meu ponto de vista, o botão de on/off deveria assumir essa função se continuasse concordante com o design do produto.

Prespetiva do sensor de impressão digital. ©DigitalThinking

Conectividade

Um dos grandes aspetos inovadores da linha ultrabook da Xiaomi foi a introdução de duas entradas USB-C, neste caso uma USB 3.1 com possibilidade de carregamento, transferência de dados e vídeo e outra USB 3.0 somente com possibilidade de transferência de dados e vídeo, e a introdução de um leitor de cartões SD/SDHC/SDXC. A par das saídas anteriormente referidas encontramos uma porta HDMI 1.4 (máximo 4K 30Hz), duas portas USB 3 do tipo A e o tão amado Jack 3,5mm.

Um dos grandes defeitos deste produto é não só a ausência de HDMI na versão 2.0 (com largura de banda necessária para suportar 4K 60Hz), como também a ausência de Thunderbolt 3 (a fim de por exemplo ligar uma gráfica externa caso necessário) e a inconsistência entre as duas saídas USB-C (sendo que uma suporta o protocolo USB 3.1 e outra USB 3.0). A que tem USB 3.1 é a única que suporta carregamento e possibilidade de transmissão de 4K a 60Hz, logo se quiser ligar a um monitor com a referida resolução e refresh rate terá de investir num adaptador decente com possibilidade de carregamento.

Portas disponíveis. ©Xiaomi

Desempenho

Neste quesito, como citado anteriormente, estamos perante duas opções de CPU e de memória RAM. Destaco principalmente a geração do processador escolhido, a oitava, pelo facto de se distinguir completamente das antigas da mesma série (U) a nível de núcleos físicos (anteriormente dois). Ou seja, houve um aumento significativo de performance sem que o consumo aumentasse (TDP 15W). A nível de armazenamento é disponibilizado um SSD M.2 NVMe Samsung PM961 de 256GB (3,5GBs leitura e 1,5GBs escrita) o equivalente ao Samsung 960 Evo, por outras palavras um SSD de topo (excluindo o 960 Pro da mesma fabricante). Caso necessite de guardar uma maior quantidade de informação também é disponibilizada mais uma slot M.2 de expansão.

A combinação entre o CPU, RAM, armazenamento e gráfica dedicada assegura confortavelmente o bom funcionamento da máquina em termos de produtividade intensa, edição de vídeo (até mesmo em 4K sendo que se poderá alongar a resoluções superiores) e imagem, gestão e transferência exaustiva de dados (neste caso facilitada por uma placa de rede muito respeitável) e outras atividades que exijam mais intensamente do CPU. Por outro lado, a gráfica dedicada, sendo equivalente a uma NVIDIA GT 1030, não é espectável que consiga reproduzir jogos muito intensos em 1080p (no caso: Forza Horizon 3, Wolfenstein II e etc…) com um frame rate (taxa de fps) respeitável (como de 30-40 ou mesmo 60 fps). Convenhamos que não é um computador para Hardcore Gaming mas sim dedicado a produtividade e a jogos de eSports recentes tal como FIFA18 (Ultra – 70fps), PES18 (alto – 60fps), Rocket League (Ultra – +60fps). No caso dessa mesma utilização a escolha da versão com i7 não irá conter uma melhoria observável em relação à de i5. Um aspecto negativo é facto de a slot de expansão não utilizar toda a performance disponível num SSD NVMe estando limitado a somente um SSD deste tipo.

Na minha opinião um produto a considerar caso não execute tarefas que necessitem inevitavelmente de desempenho gráfico intenso.

Para mais informações nomeadamente sobre benchmarks (testes de desempenho) aconselho vivamente a visualização do artigo elaborado pelo website “NotebookCheck” através dos seguintes links: https://bit.ly/2J8exVj (i5 8GB RAM), https://bit.ly/2qIkSiK (i7 16GB RAM)

Nota: o teste realizado ao SSD com o programa “CrystalDiskMark” obtém diferentes resultados daqueles que eu obtive devido à não instalação de uma atualização da BIOS por parte do website acima referido. Logo os resultados reais são: Seq32T1 read – 3,5GBs, Seq32T1 write – 1,5GBs.

Visão interna do produto em questão. ©Laptopmain

Refrigeração

Outro ponto muito positivo é a refrigeração assegurada por duas ventoinhas simetricamente posicionadas, um heat pipe e, de alguma forma, pela construção em alumínio. Nas minhas “jogatinas”, ao utilizar intensamente a gráfica dedicada (normalmente a 99%) a mesma não supera os 59°C, assim como o CPU que não supera os 67°C caso raras exceções.

Som

A placa de som instalada é uma Realtek ALC298 com sistema de som Dolby Atmos acompanhado por uma dupla de altifalantes Harman Infinity de 2,5W cada.

O Dolby Atmos é um dos melhores sistemas de som tendo um grande peso na qualidade do mesmo transmitida quer através dos altifalantes quer através dos Headphones (utilizando o jack 3,5 mm). Aliás esse sistema de som aliado aos altifalantes customizados pela Harman obtém uma qualidade acima da média tendo como destaque os graves produzidos. Mas claro não se compara a colunas com Subwoofer.

Software

O sofware proprietário pré-instalado pela Xiaomi limita-se somente a um programa completamente em Mandarim (pelo facto deste produto ser destinado para território Asiático) que fornece acesso ao serviço de Cloud da mesma, a Mi Cloud (única página em português e inglês), à página de descarregamento de drivers, ao serviço de assistência técnica na China e à página da loja também ela no mesmo país. Existe também a possibilidade de desbloquear o computador com a Mi Band 2 através de ligação Bluetooth.

Por um lado, é satisfatório a fabricante não colocar excessivamente programas pré-instalados que não têm qualquer função ou que estejam mal otimizados resultando numa degradação de desempenho. Por outro lado, neste caso assistimos à escassez dos mesmos. Resultado disso a impossibilidade de regulação do brilho e do tempo de iluminação das teclas e a dificuldade de instalação de atualizações de BIOS. De facto, a Xiaomi necessita de melhorar o seu suporte a software nos seus computadores portáteis.

Carregador

O carregador tem 65W de potência com uma corrente de saída variável de 5V/3A, 9V/3A, 12V/3A, 15V/3A, 20V/3.25A. Tem possibilidade de carregamento rápido que num período de 35min carrega o ultrabook da Xiaomi até 50% (iniciando em 0%). Adicionalmente inclui um cabo com duas pontas USB-C fêmea de 1,5m de comprimento.

Positivamente realço as dimensões inferiores aos carregadores utilizados pela Lenovo na sua linha YOGA, a capacidade retirar o cabo usando para ligar dispositivos USB-C a portas do mesmo tipo.

Negativamente, o comprimento diminuto do cabo e a necessidade de utilização de um adaptador de parede.

Dimensão do transformador. ©Gigazine

Autonomia

Com uma bateria de 60Wh será de esperar uma autonomia claramente acima da média e, uma vez mais, o Mi Notebook Pro não desilude. Dependendo do uso a autonomia variará. Com uso pouco intensivo (navegação web, produtividade leve, visualização de vídeos online e offline) estamos perante 9 a 10 horas de longe da tomada com metade da luminosidade máxima. Numa edição leve a mediana de fotografia (utilizando neste caso o tão popular Adobe Photoshop) a autonomia desce sensivelmente para metade. Caso jogar ou utilizar programas que abusem da gráfica dedicada estejam nos seus planos não irá conseguir mais de hora e meia sem necessitar de carregamento.

Considerações finais

Considero a versão menos avançada do Mi Notebook Pro (i5 e 8GB RAM) uma excelente opção. As restantes, relativamente à relação custo/benefício, são menos vantajosas que a citada, mas continuam a ser bastante superiores nesse quesito caso comparemos ao mercado nacional.

Apesar de conter alguns defeitos adequa-se perfeitamente ao utilizador que deseje um portátil (excluindo os híbridos) com um maior desempenho (maioritariamente gráfico) do que modelos tais como o HP Spectre juntamente com as vantagens fornecidas, no caso a portabilidade, pela categoria ultrabook.

O fator arrebatador do Mi Notebook Pro é sem dúvida o preço! Em comparação com o mercado nacional não existe nenhuma outra opção idêntica que rivalize em custo/benefício com este computador da Xiaomi. Logo caso esteja a ponderar investir num ultrabook no qual priorize o desempenho (dentro dos limites desta gama) e deseje um preço em conta, justo e adequado ao produto em questão então não procure mais, o Mi Notebook Pro tem tudo o que precisa.

Ao nosso estimado Leitor, um forte agradecimento pela leitura do nosso artigo de análise.

1 COMENTÁRIO

Comentários

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.